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1.7.08
Cheap and cheerful

Top 5 melhores discos de 2008, até agora. Resenhismo escroto segue firme e forte e se adianta às listas de fim de ano logo em julho. Até agora a confusão generalizada tá tamanha que periga a gente não chegar vivo ao fim do segundo semestre. Primeiro é uma lista de discos, depois vem um testamento.

#05. Rockferry, Duffy. Enquanto a Amy Winehouse tá sijogando no bueiro, a gente passa o tempo esperando sua convalescência (olha o otimismo) escutando essa loirinha aê. Ela até fez o favor de chupinhar Rehab em Mercy pra gente não perceber a mudança na escalação do time, mas a música é danada de boa que você se convence de que o crime compensa. Mas, mesmo digno dessas analogias preguiçosas, o CD é bão. Duffy toca na ferida dos infortúnios do amor e cria a trilha para os corações cornos desse mundo afora. É pra cantar junto a letra das músicas em voz alta e deixar o cotovelo em forma para o próximo verão.

#04. Midnight Boom, The Kills. Saudades da Shirley Manson e do Garbage? Pois eis que temos VV toda se querendo, ô delícia, tomando o posto de moosa do rock indiezinho para amadores, barulhento o suficiente para incomodar os vizinhos, mas ainda assim pop sem culpa para tocarna trilha de Gossip Girl. É diversão para toda a família chacoalhar os ossos aos som dos gemidos e das onomatopéias do Hotel. Ô povo de codinome complicado. Coletânea de fim de ano sem incluir pelo menos Cheap and Cheerful não merece o respeito. É música pra bancar a ovelha negra nos bailinhos da vida

#03. Santogold, Santogold. Melhor revelação do ano é essa moça vomitando purpurina, mistura de M.I.A. com Karen O e mais meio mundo de gente, obrigação acrescentar uma nova referência a cada resenha. Eu escutei um The Clash ali no meio? O álbum é uma coisa genial, cada faixa mais fina que a outra. Falta algum rapper americano se atrever a remixar Starstruck pra banalizar a coisa. Alguém avisa pro Timbaland ficar de olho porque essa dona aí lançou um material mais digno do que ele tá fazendo por encomenda por esses dias.

#02. Volume One, She & Him. Quem acompanha esse troço já percebeu que isso tudo é uma campanha subliminar em defesa dos bons dotes da Zooey Deschanel (não fica com ciúmes, M. Ward, você é um cara legal). A criatura conseguiu fazer um dos piores filmes do ano (nem vi) e um dos melhores álbuns ao mesmo tempo. Esses projetos musicais de atores famosos são quase sempre furada, mas sempre há luz no fim do túnel. Zooey herda a mesma sorte do ator igualmente indieota Jason Schwartzman e faz um disco tão bacana quanto o Midnight Radio do Coconut Records no ano passado. Agora vai atrás de um filme bom pra não quebrar o coração da gente estrelando porcaria.

#01. New Amerykah, Pt.1: 4th World War, Erykah Badu. Todo esse post é uma desculpa para perguntar: por que todo mundo não está babando diante desse álbum maravilhoso que a Erykah lançou no começo do ano? Tá certo que não é a coisa mais pop pra todo mundo escutar sem fazer careta, merece todo um trabalho de conclusão de cu-rso essa encrenca que a Erykah fez. Ganhou o título de obra mais fudidamente legal do ano desde fevereiro e ainda não perdeu o posto, só a capa do CD e o título complicado foram o suficiente para abalar a indústria fonográfica. Finalmente alguém lembra que dá pra fazer coisa legal no hip-hop, e ainda assim ninguém reconhece? O mundo está perdido mesmo.

The Kills - Tape Song

21:15 · ¿que pasa? (0)

26.6.08
There there

Voltamos com nossa programação normal. Altos que não sei de onde surgiu essa férias do blogue, até porque acho mané férias de blogue, uma atividade tãaao desgastante que precisa de férias, mas a coisa aconteceu. E nem é porque nada de interessante aconteceu, acho que foi o contrário até, daí o cérebro não teve tempo para lembrar de processar tudo em tempo e dividir os relatos mórbidos com os colegas. My bad. Eu culpo o Gabriel Byrne, porque depois de In Treatment, peguei uma mania de ficar num monólogo de mim pra mim mesmo, analisando traumas de infância. Se bem que faria sentido escrever tudo aqui, mas tô economizando esse material para uma carreira bem sucedido de estudo de caso de Psicologia. Culpo também uma LER violenta que se abateu sobre meu braço direito, devo considerar urgentemente trocar essa mesa do teco-teco, vulgo meu computador. E o twix, que é tipo um blog sem censura interna suficiente para você sacar que escreveu besteira, graças a Deus que são apenas 140 caracteres.

* * *


Dos programas de TV que pensei em comentar mas deixei passar em branco. Top Chef, chegando duas temporadas atrasados, tapa buraco da programação da Sony, diversão das noites de quartas-feiras. Reality show de competição de chefs de cozinha: a julgar pela dinâmica demonstrada nos episódios, chef de cozinha é a profissão mais gangsta bitch que já existiu. E é apresentado por essa moça aí da ilustração, Padma Lakshmi, que tem uma cicatriz sensual no braço e já foi casada com o Salman Rushdie. Tesão em pálpebras, logo temos chance, será? O mundo é bão, Sebastião!

* * *

Falhando totalmente em acompanhar os lançamentos do cinemão-pipoca americano. Me animei que vi Homem de ferro e acabei perdendo tudo. Só consegui ver o do Príncipe Caspa para filar um rodízio de pizza depois da exibição. De modos que eu acompanhei todos esses episódios de Sex and the city para não saber se finalmente Carrie terminou com Mr. Big? Temo pelo futuro.

* * *


A única resolução de fim de ano que venho cumprindo com rigor é a luta contra o analfabetismo. Entre os divertidos títulos que passaram pela minha cabeceira estava Reparação, do Ian McEwan, que ganhou inclusive uma versão em filme pros analfas. Claro que vi o filme antes de ler o livro, só pra me surpreender, em primeiro lugar, como tudo é tão bem adaptado no começo, para depois no meio começar a improvisar (resume um bando de páginas em um plano seqüência, ousado) e deturpar o final. O filme nem é ruim, até me convence que a Keira Knightley é gostosa, mas parabéns literatura, você superou o cinema dessa vez.

* * *

Então é isso, até agosto.

Radiohead - No Surprises

22:38 · ¿que pasa? (4)

30.5.08
Guaranteed

Um meme a mais nunca é demais:

Meu primeiro disco.
(Vi acá.)

#01. Acesse http://en.wikipedia.org/wiki/Special:Random - o título da primeira página aleatória que aparecer será o nome da sua banda.

#02. Vá pra http://www.quotationspage.com/random.php3 - as últimas quatro palavras da última frase da página formarão o título do seu disco.

#03. Acesse http://www.flickr.com/explore/interesting/7days/ - a terceira foto, não importa qual seja, será a capa do seu disco.

Opcional: salvar a imagem e colocar nome da banda e título com photoshop.

Daí o meu deu nisso:


Mentira. O primeiro deu nisso, mas eu mudei porque fachada de cidade é meio dã, e eu nunca fui a Curitiba.


Mentira de novo. Deu "Who got there first" de Occupation of factories, e a foto de uma tulipa nadavê que não simpatizou com o meu Paint.

Mentira de novo again, alguém me bate. Passei a tarde toda fazendo, dava coisas como nome de escola e Lady sei lá o que em "as long as black", super inapropriado, trannylicious, e o povo do flickr trava as figurinhas, então a gente apanha até achar uma que dê para salvar.

Também participaram: Sajeeb wazed, Baraket selassie e Awards from Canada. Faz aê.

Eddie Vedder - Hard sun

01:23 · ¿que pasa? (9)

28.5.08
Nylon smile



Tecnologia é uma fickle bitch. Eu tive uma daquelas TV's portáteis minúsculas, com rádio am e fm, você mudava de canal no dial. Eventualmente apareceu uma 14 polegadas na minha vida, junto com um vídeo cassete velho, que porrou o cabeçote no meio do VHS de Um Sonho sem Limites. Passei anos sem saber como o filme acaba. Ainda teve o Natal em que ele ameaçou engolir de vez a fita de Boogie Nights. Porque eu passava o Natal vendo filmes como Boogie Nights e A Outra História Americana. O vídeo cassete foi aposentado por um modelo novo mais simpático, mas que fazia (faz até hoje, ele sobrevive) o favor de mastigar as fitas. Toda uma vida recebendo sermão de atendente de locadora. Daí veio o DVD. Na época tinha aquela história de que não dava para sacar a qualidade dos filmes em DVD numa tela de 14 polegadas. O que não era problema porque o filme em questão era As Panteras, qualidade é coisa boba. Um dia, a 14 polegadas foi aposentada por um modelo maior, que não coube onde deveria, causando todo um caos familiar dado o desarranjo da decoração da casa. Grandes traumas da pós-adolescência. Dá um grande salto no tempo até uns meses atrás, quando aderimos à moda das TV's planas gigantes. Toda uma tecnologia de ponta, não fosse a imagem da TV a cabo fodida durante, especialmente durante as séries da Warner, toda uma decepção assistindo Pushing Daisies. Sem falar no aparelho de DVD, o mesmo das panteras lá. Com a TV gigante, a imagem fica uma merda. Sem falar que na época da aquisição do aparelho, ninguém se tocava desse lance de widescreen e fullscreen, dependendo então do zoom da TV, deixando a cena do Twist and shout de Curtindo a vida adoidado quadriculada, sem falar no Michael Scott enquanto um borrão impressionista nos episódios de The Office. Resultado foi arranjar um segundo DVD e um cabo de vídeo componente, essa coisa coloridinha aí da ilustração, como se eu não armazenasse caixas e caixas de cabos inúteis. O lado negativo é que, antes de melhorar a imagem, me atrevi a assistir Na natureza selvagem numa decepcionante versão pixelada, daí vou ter que economizar uns trocados para comprar o filme e rever do jeito que o Sean Penn pretendia. E não me fale em Blu-ray.

Death cab for cutie - Grapevine Fires

01:10 · ¿que pasa? (0)

24.5.08
Got me

Me apaixonei por um MacBook. O que é uma péssima idéia, porque o computador em questão não está permanentemente em minha posse, sendo assim a relação entre nós dois não passa de um one night stand, no qual os dois lados interessados voltam para seus respectivos cônjuges no fim, no caso, meu véio teco-teco de guerra e sua avançada tecnologia das máquinas a vapor. Deixo este registro de nosso breve affair só para lembrar que, ó, computadores não levam necessariamente 5 minutos para realizar operações como abrir uma página da interwebz ou manter uma conversa no emiessiene. Tô no ponto de baixar umas músicas para compor a trilha de nosso rendezvouz mas não quero enjoar de She and him tão cedo ainda.

St. Vincent - Twisted Sea

00:36 · ¿que pasa? (3)

20.5.08
Anywhere I lay my head


Resenhismo escroto pega a Scarlett Johansson, mata e come. Ou melhor, come e mata que a gente gosta das nossas biscates vivas e se mexendo. Mas Scarjo não apenas mexe gostoso mas canta, taí seu disco Anywhere I lay me head, que não é tanto uma decepção, mas exatamente o que se espera de uma roubada desse nível. O ponto que nos causa transtorno mental é porque a moça decidiu apostar no lance de musa indieota e não abraçar a linha cinemão ruim que tava funcionando tão bem até então. É a falha mor do disco, não agrega porra nenhuma do que já sabemos da loira, a não ser adicionar Tom Waits e David Bowie na sua extensa lista de peguetes. A gente esperava pelo menos que fosse ruim o suficiente para reclassificá-la no eterno top 5 plastificado, mas nem, a coisa toda é genérica o suficiente para você fingir que não aconteceu nada e o disco não existe. Fica só o vexame da rapaziada que faz participação especial pra dar aquela pincelada, ter todo um registro de suas cantadas-chave para catar incautas na noite é sempre desagradável. Woody Allen pelo menos foi mais objetivo em seus filmes, embora seu tesão pela menina seja mais uma simplificação da relação dos dois porque ninguém tá interessado no alter-ego do judeu baixinho ser uma boazuda.

Veredicto: recomendamos Zooey Deschanel cantando menina linda eu te adoro. Toda fã de Jovem Guarda estuprando os Beatles, essa Zooey. Aprende, Scarlett.

She & Him - Take it back

15:01 · ¿que pasa? (0)

13.5.08
Iron man


A grande diversão das férias é decidir ver os não os lançamentos do cinema arrasa-quarteirão. Homem-de-ferro: nunca vi o gibi mais gordo (nerd fajuto!), mas todo mundo gostou, então precisa ver? Speed Racer: eu lembro que assistia o desenho na TV, mais na espera do desenho que passa depois, mas todo mundo odiou o filme, então eu não vejo, certo? Dúvidas cruéis, deixo pro bolso decidir mesmo, sempre no medo de rolar um revival da pior sessão de cinema de todos os tempos - dedico todo o meu ódio aos malditos espartanos. Isso porque a crítica não ajuda muito a definir se o negócio é ruim ou não. Todo um enigma, essa arte de filmar coisas explodindo. E depois que você não é oficialmente um adolescente, rola toda uma dor na consciência para encarar essas matinês, você acaba não achando graça na coisa toda e volta pro asilo deprimido com o peso da idade. Enfim. Acabei vendo só o primeiro, só pra ver o Robert Downey Jr. pagar o ingresso, sempre válido financiar os entorpecentes do cara. Gwyneth é charmosinha. Aquele cara do olho verde sempre fazendo papel de banana. Não faz muito sentido essa coisa de construir um robô com você dentro para salvar o mundo mas o filme é divertido o suficiente para você ignorar a lógica por um momento.

Erykah Badu - Twinkle

23:33 · ¿que pasa? (2)

7.5.08
I will possess your heart

Livros que levei pra cabeceira por causa da capa.


Ou, também, livros que levei pra cabeceira por causa do título, O coração é um caçador solitário, mui poético. Já a tradução me lembra que uma das minhas resoluções não-oficiais de ano novo era parar de ler traduções. Os personagens negros do livro falam chicobentês, sabe-se lá porque. Isso e a orelha que promete sugestões de pedofilia e homossexualidade, o que não ocorre de fato, mas como era a primeira vez que eu lia, ficava em pânico esperando que a menininha do livro fosse estuprada toda vez que ela entrava em um beco sem saída.

Death Cab For Cutie - Grapevine Fires

22:54 · ¿que pasa? (2)

30.4.08
Inner city pressure


O turista acidental, lado B. Então para competir com R.J. eternamente nublado durante a minha permanência, fui parar na ensolarada S.P.. Agora, como não é crime fazer sol numa cidade sem praia ou chover numa cidade do litoral, francamente, não sei. Por coincidência, tava rolando alguma coisa chamada "Virada cultural", o que me pareceu uma péssima idéia, comassim "virada"? Imagino panquecas sendo jogadas ao ar e outras indecências. Só testemunhei por acaso Tonico dando show sem Tinoco e uma "pista" de dança onde os participantes escutavam a música via headphones, resultando num bando dançando em pleno sol das três hora em silêncio. Muito medo de cidade grande.

Mas, quanto a capitar. Algumas observações dignas de nota:

#01. Não existe Coca-Cola em S.P.. No terceiro dia, eu já sofria de desidratação. Mas sério, todo um monopólio suspeito da Pepsi, chamem as autoridades.

#02. Paulistaños nunca ouviram falar em bermuda. Daí que é costume dos não-palistaños usarem bermudas sempre em retaliação. Todo um posicionamento político no vestuário.

#03. Geral celebrando a claustrofobia coletiva nos metrôs. Nunca que compreenderei a lógica como as pessoas ficam tão tranqüilas dentro de caixas lotadas. Eu fico rodando a última cena de Final Destination 3 na minha cabeça entre um trem e outro. Ou Velocidade Máxima, Dennis Hopper batendo a cabeça no sinal (?) e Sandra Bullock algemada na barrinha.

#04. Pessoas vestidas de cosplay. Testemunhei uma colegial japonesa. Não lembro se era japonesa de verdade ou não. Tem toda essa questão dos descendentes orientais, de modos que quando você está em um local público e não há um nikkei por perto, alguma coisa está errada.

#05. Encontros imediatos do terceiro grau furados. Porque no meio do caminho esqueci de conferir se tinha os telefones dos meus contatos stalkers pra sijogar e acabei passando os dias assistindo Dr. House de tarde enquanto o bando cochilava depois de encher a bagagem de muamba.

Veredicto: diversão no S.P. é pegar metrô bebendo Pepsi e vestido de cosplay.

Santogold - Starstruck

20:53 · ¿que pasa? (6)

29.4.08
Say aha

Sessão dupla tudavê não involuntária.


Sobre Apenas uma vez, dona velhinha saiu da sessão falando em voz alta que devia ser proibido passar filme ruim. Sobre Onde os fracos não têm vez, outra dona velhinha saiu da sessão dizendo que era muito violento e não sabe se merecia esses Oscars todos não. Já eu acho que são as donas velhinhas que fazem valer o preço do ingresso.

Santogold - Creator

14:27 · ¿que pasa? (0)